Campanha do celular desbloqueado não passa de hipocrisia
July 25, 2007 on 11:41 am | In celular, colunas, consumidor, forumpcs | 2 CommentsEm maio de 2002, este que vos escreve foi convidado para a coletiva de imprensa de lançamento da Oi, então apenas uma nova operadora celular. Saí do evento, realizado em um hotel em Copacabana, com um guarda-sol da Oi debaixo do braço e uma idéia fixa na cabeça: comprar um celular deles. Fui direto para o shopping mais próximo e, depois de algum estresse com os vendedores e de ter que esperar até o dia seguinte, tornei-me o feliz proprietário de um Ericsson (ainda sem Sony) T68 e um dos primeiros assinantes da Oi (sim, eu disse Oi primeiro).
Os colegas diziam que só um idiota compraria um celular da Telemar, ex-Telerj, e eu contra-argumentava que no Rio a Telefônica, futura Vivo, era ex-Telerj celular. Mas, no final das contas, isso não importava. O que me atraiu para a Oi foi a possibilidade de finalmente ter um celular GSM – tecnologia sobre a qual estava cansado de ler e escrever, mas que nunca havia usado no dia-a-dia. E a Oi, para quem não lembra, foi a primeira operadora GSM do Brasil.
Alguma semanas depois de comprar meu celular, surgiu uma oportunidade de viajar para o exterior e, achava eu, pôr a prova uma das coisas que mais me encantava no padrão GSM: a possibilidade de trocar o SIM chip por um de uma operadora local para usar o celular na viagem sem ter que pagar as absurdas taxas de roaming internacional. Doce ilusão! Antes mesmo de viajar, descobri a canalhice do bloqueio do aparelho. O MEU celular, pelo qual pagara mil e tantos reais (era um dos modelos mais caros da época), só funcionava com o chip da Oi.
Como naquele tempo não havia camelôs e lojinhas que desbloqueiam celulares em cada esquina, restava apelar para o bom senso do atendimento da própria Oi (riam, por favor… isso é uma piada). Foram horas no telefone tentando convencer a atendente-robô de que o celular era meu e que o contrato de um ano que fui obrigado a assinar já garantia que a operadora recuperaria o valor subsidiado, mesmo que eu estivesse usando o aparelho em uma concorrente (o que nem era minha intenção).
Convencido de que a única saída que a área de atendimento me daria seria pagar uma pequena fortuna pelo desbloqueio, resolvi fazer uma coisa muito feia e apelar para minha condição de jornalista (para alguma coisa tinha que servir, né?). Liguei para o então assessor de imprensa da Oi, hoje um grande amigo, e “descasquei” a prática da operadora. Afinal, de que adiantava encherem a boca para falar das vantagens do GSM se de cara já estavam capando uma das mais interessantes?
O resultado é que, depois de mais uma longa discussão e uma consulta à operadora, concordaram em, excepcionalmente, desbloquear meu aparelho de graça. Por telefone mesmo, usando uma senha que pediram para eu digitar no teclado. Mas pediram, discretamente, que eu não espalhasse a informação. E eu, tolo, concordei. No final das contas, nem consegui usar o aparelho na viagem porque as poucas operadoras GSM nos Estados Unidos não vendiam SIMs avulsos.
Eu, mesmo com o celular desbloqueado, continuei fiel à Oi até uns dois meses atrás, quando me tornei assinante de outra operadora porque não aguentava mais a pobreza dos aparelhos oferecidos nas lojas Oi. Foram cinco anos – quatro a mais que o exigido pelo tal contrato de fidelidade assinado ao comprar o primeiro aparelho. Neste período, tive quatro celulares – dois subsididados pela Oi e dois smartphones comprados lá fora, desbloqueados.
Para o primeiro deles eu bem que tentei comprar um chip avulso da própria Oi, a fim de dar o celular velho para outra pessoa, mas a operadora também não vendia só o chip. Como podiam ter tanto medo de eu usar o aparelho “deles” num concorrente e não querer que eu usasse um aparelho desbloqueado, que não precisaram subsidiar, em sua própria rede? E ainda por cima ganhando um novo assinante? Definitivamente, não dá para entender.
Como também não dá para entender por que a empresa demorou meia década para cair na real e agora faz campanha contra o bloqueio de celulares, uma prática que ela mesma instituiu aqui no Brasil, e ainda tem a cara de pau de encher a mídia de propaganda dizendo como é a única a respeitar os assinantes desta forma. Desbloquear os aparelhos é uma atitude louvável, mas querer fortalecer sua imagem em cima disso a esta altura do campeonato é chamar seus clientes mais antigos de idiotas. Parece que os amigos que citei lá no segundo parágrafo tinham razão, afinal.
Update: lançar essa campanha às vésperas de parar de vender aparelhos torna a história toda ainda mais hipócrita. Valeu a dica, Elis e Ramos.
Coluna originalmente publicada no Fórum PCs sob licença Creative Commons Atribuição – Uso Não Comercial – Não a obras derivadas 2.0
2 Comments »
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Agora tudo faz sentido…
Comment by Thales — August 14, 2007 #
Ahahahahah…mais um que acredita nesta palhaçada da OI. Por tras dos bastidores no mínimo deve ter um processo por falsa propaganda…pelo menos é o que faria se fosse um dos donos da CTBC Celular, que sempre vendeu celulares desbloqueados – ISSO MESMO…sempre vendeu celulares desbloqueados desde que adotou o sistema GSM, por volta de 2003.
Comment by Hugnei — February 25, 2008 #